Text size

Poema do mês de fevereiro de 2016


carnaval2016

O homem e seu Carnaval

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

Carlos Drummond de Andrade

Agrupamento de Escolas de Seia - Rua Alexandre Herculano (sede) - 6270-428 SEIA - Telef: 238 315 717 - Fax: 238 317 416 - Email:  Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.