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Poema do mês de março de 2013

 


Jurapoema marco 2013

Pelas rugas da fronte que medita... 

Pelo olhar que interroga — e não vê nada... 

Pela miséria e pela mão gelada 

Que apaga a estrela que nossa alma fita... 

 

Pelo estertor da chama que crepita 

No último arranco d'uma luz minguada... 

Pelo grito feroz da abandonada 

Que um momento de amante fez maldita... 

 

Por quanto há de fatal, que quanto há misto 

De sombra e de pavor sob uma lousa... 

Oh pomba meiga, pomba de esperança! 

 

Eu t'o juro, menina, tenho visto 

Cousas terríveis — mas jamais vi cousa 

Mais feroz do que um riso de criança! 

 

Antero de Quental

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