Mensagem do Presidente do Conselho Geral

Pensar positivo…

Muito tem sido dito e escrito sobre as consequências que a pandemia do coronavírus poderá ter na evolução dos processos educativos, como todos sabemos a situação vivida nas nossas escolas nos últimos meses constitui uma experiência interessante com mérito indiscutível desde que a consideremos apenas como uma solução provisória e temporária para atenuar e minimizar os graves danos introduzidos pelo aparecimento de um fenómeno externo às escolas, que obrigou ao seu encerramento e ao confinamento de alunos, pessoal docente e não docente nas suas respetivas casas.

Foi com tudo isto que os nossos responsáveis políticos encontraram um conjunto de soluções alternativas que, em certa medida, criaram condições para que pelo menos alguns dos alunos pudessem manter-se minimamente ativos e envolvidos em processos de aprendizagem com alguma utilidade. Mas é necessário que, com todas estas experiências, importa que professores, alunos e pais e encarregados de educação identifiquem os aspetos negativos, que em minha modesta opinião deverão ser certamente muitos, mas importa também que sejam analisados os pontos positivos, que os há seguramente, os quais podem constituir ensinamentos relevantes não apenas para a melhoria do ensino presencial, mas sobretudo para se colocarem as novas tecnologias ao serviço da educação de uma forma mais interessante e eficaz.

Vivem-se hoje tempos muito conturbados, mas é nestas alturas que se tem de manter a serenidade e não tratarmos questões de fundo utilizando argumentos de circunstância. Para construirmos um futuro mais saudável, próspero e seguro, precisamos garantir financiamento adequado, fazer uso inteligente de tecnologias disponíveis, priorizar os mais vulneráveis e proteger os nossos docentes, não docentes e alunos. Com inteligência, integridade, competência e planeamento, podemos aprender com esta e com outras crises e promover o salto de qualidade na educação que os nossos políticos afirmam.

Se o nosso foco for apenas em ferramentas digitais, certamente contribuiremos para a explosão das desigualdades educacionais num país que já ocupa uma das piores posições no ranking dos mais desiguais. Estimular a solidariedade, a resiliência e a continuidade de relações entre educadores e alunos é fundamental. Todas as mensagens entre professores, entre professores e alunos e encarregados de educação exponenciaram-se, os mails multiplicaram, as chamadas intensificaram, tudo em prol da escola, do ensino, dos alunos e de se conseguir fazer mais e melhor todos os dias, às vezes mesmo sem condições físicas, materiais e tecnológicas adequadas.

Quero, por este meio, reforçar e elogiar o esforço sobre-humano que a diretora e sua equipa, coordenadores de escola, professores (todos os níveis de ensino), pessoal não docente, técnicos especializados, Câmara Municipal de Seia e demais parceiros do nosso Agrupamento de Escolas de Seia têm feito para se reinventarem e reconstruírem neste tempo, num espaço de tempo de mudança em que tudo mudou e nada é como antes e em que nunca antes a comunicação no contexto educativo foi tão determinante.

É de louvar, como desde o início da pandemia, os professores, se disponibilizaram a apoiar e a garantir o ensino a todos os alunos neste período, sem quererem esconder as suas vulnerabilidades em desculpas e lamentações, ou se refugiarem em limitações técnicas ou tecnológicas. Muitos, sem qualquer competência ou formação em ensino à distância, num ambiente digital em que são os próprios alunos os que se sentem mais ou menos à vontade.

Para além do acréscimo de trabalho docente, aulas síncronas e assíncronas, enviar e corrigir atividades propostas, assim como, responder às dúvidas dos alunos (a difícil motivação de alguns alunos nas aulas síncronas) e diálogos assertivos com os pais/encarregados de educação, mesmo assim a missão foi salutar.

Antes de terminar tenho que salientar as dificuldades de aprendizagem entre os alunos com necessidades educativas.

Estimular a curiosidade, por meio de atividades centradas na descoberta, na pesquisa e na procura de respostas para os problemas do mundo real, é um dos principais desafios que se impõem aos Professores e aos Pais/E.E.. Cabe, por isso, a todos nós a capacidade de transformar a Escola, tornando-a um espaço de descoberta de talentos.

Caríssimos amigos se a nossa vida é um projeto a escola também o é, porque quando a escola falha, falhamos todos.

Obrigado a todos, em geral, pelo empenho e dedicação.

Agora é hora de esquecer os problemas e relaxar. Espero que todos vocês aproveitem todo o tempo disponível para se divertirem.

Boas Férias

Presidente do Conselho Geral

Victor Sousa